FINEP divulga perfil das empresas apoiadas pela Subvenção Econômica

A FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos acaba de divulgar um relatório com o perfil de 500 empresas contratadas até outubro de 2010, responsáveis por 695 projetos apoiados pelo Programa de Subvenção Econômica à Inovação. Foram analisados dados como porte, faturamento e área de atuação, entre outros.

Empresas de pequeno porte e pequenas empresas representam 60% do total. As grandes empresas, com faturamento acima de R$ 300 milhões, respondem por 5% da carteira.

Quanto à classificação por Setor da Economia, as maiores ocorrências são nas áreas de serviços de TI e fabricação de produtos de informática, eletrônicos e ópticos.

Geograficamente, o Sudeste participa com 57% das empresas, o Sul com 25%, o Nordeste com 12%, o Centro-Oeste com 4% e o Norte com 2% do total. Os cinco estados com maior número de empresas apoiadas são: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

No que se refere à distribuição por idade, em 2009, 49% das empresas tinham menos de 10 anos; e seis, ou seja, pouco mais de 1%, tinham mais de 50 anos de idade.

Quanto à natureza jurídica, 77% são sociedades empresariais limitadas. As sociedades anônimas fechadas representam 19% e as abertas, 2%.

O programa de Subvenção teve sua primeira chamada pública lançada em  2006. Desde então houve editais todos os anos. O relatório considera todas as empresas que estavam aptas e foram contratadas nos editais de 2006, 2007 e 2008. O edital de 2009 ainda tem 40 projetos aprovados em contratação.

Leia o relatório completo

Fonte: FINEP

01/02/2011 at 17:35 Deixe um comentário

A matéria prima do futuro

Em seu discurso de posse como novo presidente da FINEP, o sociólogo Glauco Arbix confirmou intenção de transformar a agência em um “banco da inovação”, que funcionará como uma instituição financeira de tipo especial, incorporando padrões distintos dos bancos tradicionais de análise de risco e de operação de fomento à inovação. A ideia por trás disso é consolidar a FINEP como o principal agente da inovação tecnológica no país.

Neste sentido, o processo de sua capitalização deve continuar, uma vez que as reservas atuais da FINEP não conseguirão atender à demanda já identificada. Nos próximos quatro anos a FINEP terá de duplicar sua capacidade de crédito para triplicar o número de empresas que apóia.

Para Arbix o “Brasil precisa de um choque de inovação” em todas as esferas e dimensões da sociedade  para enfrentar a competição baseada em novos conhecimentos e tecnologia dos países avançados e melhorar sua posição entre países emergentes como China e Índia: “Não se trata apenas de uma escolha, mas de necessidade. Isso porque a inovação, especialmente a inovação tecnológica, é chave para o desenvolvimento econômico e social”, assevera o sociólogo.

Neste futuro cenário,  a FINEP – atuando praticamente em todas as fases do processo inovador, da pesquisa ao crédito e em parceria com o BNDES e outras instituições – assumirá um papel chave, pois tem como alvo a atuação nas áreas tecnológicas.

Segundo Arbix a agência irá aprofundar seu foco nas empresas, no apoio aos centros de pesquisa e universidades, no aperfeiçoamento da infraestrutura de pesquisa como parte do esforço da melhora na qualidade dos investimentos em inovação.

Arbix ressalta ainda que a inovação não acontece por um passe de mágica ou inserida em um contexto inocente de genealidade individual e mistério.  Para ele, ela é antes de um tudo o fruto de um trabalho árduo e persistente, cercado pelo risco e sacrifício. Neste sentido, a FINEP tem a difícil missão de incentivar, apoiar, avaliar e  financiar os processos de inovação, aperfeiçoando suas relações com as empresas, centros de pesquisa e organizações sociais de modo a potencializar os processos de inovação.  Enfim, a “inovação foi e será a matéria prima da FINEP”.

Por Fabrício Menardi

31/01/2011 at 18:17 Deixe um comentário

FINEP lançará nova edição do Prime até o final de 2010

do site da FINEP

A FINEP lançará, até o final de 2010, uma nova edição do Prime (Primeira Empresa Inovadora). Por meio de carta-convite serão selecionadas incubadoras que atuarão como operadoras descentralizadas em todo o País.

O  Prime entrou em operação no início de 2009 e seu objetivo é criar condições financeiras favoráveis para que um conjunto significativo de empresas nascentes de alto valor agregado possa consolidar com sucesso a fase inicial de desenvolvimento dos seus empreendimentos. O Programa é voltado ao apoio de empresas inovadoras de base tecnológica que tenham até dois anos e estejam formalmente legalizadas e vai financiar empreendimentos que se destaquem pelo caráter inovador de seus produtos ou serviços. Cada projeto selecionado vai receber, inicialmente, R$ 120 mil em recursos não reembolsáveis, que serão aplicados na estruturação de planos de negócios e no desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Em 2009, o Prime teve 3.154  empresas inscritas em todo o País, com um total de 16.116 postos de trabalho.  Foram selecionadas 17 incubadoras em nove estados, que atuaram como agentes operacionais descentralizados. Os três setores da economia mais presentes nas inscrições foram Informação e Comunicação (37,53%); Atividades Profissionais Científicas e Técnicas (19,48%); e Indústrias de Transformação (17,96%). Veja aqui mais detalhes de edição 2009 do Prime.

10/12/2010 at 01:04 1 comentário

Mercadante é convidado e aceita Ciência e Tecnologia

do site da Folha

por NATUZA NERY
DE BRASÍLIA

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato derrotado ao governo de São Paulo, foi convidado na tarde desta sexta-feira (3) pela presidente eleita, Dilma Rousseff, e vai assumir o Ministério de Ciência e Tecnologia no futuro governo.

A conversa entre Mercadante e Dilma ocorreu na Granja do Torto, onde a presidente eleita está morando durante a transição.

A Folha apurou que o senador petista, que já aparecia na lista de cotados para o posto há semanas, aceitou o convite feito por Dilma.

Assim, Mercadante é o primeiro dos candidatos do partido que não tiveram êxito nas urnas a ser “socorrido” por Dilma. Em 2003, Lula assumiu seu primeiro mandato tendo no primeiro escalão vários derrotados nas urnas, como o baiano Jaques Wagner e o gaúcho Tarso Genro.

Mercadante ficaria sem mandato a partir de janeiro, pois deixou de concorrer a uma reeleição considerada relativamente garantida para disputar o governo, atendendo a um pedido de Lula.

Desde a campanha já se cogitava uma compensação caso ele não conseguisse vencer Geraldo Alckmin (PSDB), que largou em ampla vantagem nas pesquisas e venceu no primeiro turno, por margem bastante estreita.

Com a escolha de Mercadante, o Ministério de Ciência e Tecnologia deixa de fazer parte da cota do PSB e passa à órbita do PT. Com isso, o partido do governador Eduardo Campos (PE), que tinha a pasta em sua cota pessoal, deverá ser recompensado com a pasta de Integração Nacional, considerada vital para o Nordeste, região na qual o PSB é mais forte

04/12/2010 at 01:20 Deixe um comentário

Inovação Tecnológica na Empresa

por Fabrício Menardi

A Portaria nº 327 de 29 de abril de 2010 publicada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) aprovou o formulário eletrônico para que as empresas beneficiárias dos incentivos fiscais previstos no Capítulo III da Lei nº 11.196/05 (Lei do Bem) prestem ao MCT informações anuais sobre os seus programas de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica.

Em um post anterior analisamos todo o conteúdo do novo formulário. No momento, cabe centrar nossa atenção em um dos aspectos mais importantes do formulário que é relativo à Inovação Tecnológica nas empresas.

O formulário esclarece que Inovação Tecnológica não é a mera compra de tecnologia inovadora; para ter direito ao aproveitamento do benefício fiscal é necessário que haja esforço da própria empresa para a realização das atividades de P,D&I. O esforço tecnológico em desenvolver atividades inovadoras deve ser caracterizado pela assunção do risco empresarial envolvido com o desenvolvimento do projeto. Além disso, o produto ou processo que já estiver na fase de linha de produção, bem como as pesquisas de mercado e as novas tecnologias de logística e engenharia de gestão, apesar de serem atividades-meio essenciais ao processo inovativo, não devem ser assinalados como projetos de P,D&I.

Na aba Produtos e Processos do formulário, o MCT define o que é inovação de produto para a Lei do Bem:

“4.1. INOVAÇÃO DE PRODUTO

Produto tecnologicamente novo (bem ou serviço industrial) é um produto cujas características fundamentais (especificações técnicas, usos pretendidos, software ou outro componente imaterial incorporado) diferem significativamente de todos os produtos previamente produzidos pela empresa.

Melhoria incremental de produto (bem ou serviço industrial) refere-se a um produto previamente existente, cujo desempenho foi substancialmente aumentado ou aperfeiçoado tecnologicamente. Um produto simples pode ser aperfeiçoado (no sentido de se obter um melhor desempenho ou um menor custo) através da utilização de matérias primas ou componentes de maior rendimento. Um produto complexo, com vários componentes ou subsistemas integrados, pode ser aperfeiçoado via mudanças parciais em um dos componentes ou subsistemas.

Não são incluídas: as mudanças puramente estáticas ou de estilo e a comercialização de produtos novos integralmente desenvolvidos e produzidos por outra empresa.”

Em outros termos, considera-se inovação tecnológica a concepção de novo produto ou processo de fabricação, bem como a agregação de novas funcionalidades ou características ao produto ou processo que implique melhorias incrementais e efetivo ganho de qualidade ou produtividade, resultando maior competitividade no mercado, podendo essas considerações ocorrer no âmbito da empresa.

Na mesma aba do formulário eletrônico existem três itens questionam o âmbito das inovações introduzidas.

Em dois deles, as empresas devem responder se introduziram em seu próprio âmbito ou no mercado nacional produto tecnologicamente novo ou significativamente aperfeiçoado:

“4.1.1. NO ANO ANTERIOR, A EMPRESA INTRODUZIU PRODUTO TECNOLOGICAMENTE NOVO OU SIGNIFICATIVAMENTE APERFEIÇOADO PARA A EMPRESA, MAS JÁ EXISTENTE NO MERCADO NACIONAL?”

“4.1.2. NO ANO ANTERIOR, A EMPRESA INTRODUZIU PRODUTO TECNOLOGICAMENTE NOVO OU SIGNIFICATIVAMENTE APERFEIÇOADO PARA O MERCADO NACIONAL?”

A terceira questão pede para a empresa indicar o grau ou âmbito do produto introduzido:

“4.1.3.1. ESTE PRODUTO É:

Aprimoramento de um existente

Novo para a empresa, mas já existente no mercado nacional

Novo para o mercado nacional, mas já existente no mercado mundial

Novo para o mercado mundial”

Fica claro então que o MCT reconhece diferentes âmbitos para as inovações introduzidas pelas empresas. Na estrutura da Pesquisa de Inovação Tecnológica (PINTEC)  realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) observa-se a mesma distinção da inovação segundo o seu grau:

-        inovação para a empresa, mas já existente no mercado/setor;

-        – inovação para a empresa e para o mercado/setor; e

-        – inovação para o mundo.

Lembramos que a PINTEC é uma pesquisa realizada por um órgão do governo (IBGE), sendo uma boa orientação do entendimento adotado para fins de determinação dos conceitos de desenvolvimento de inovação tecnológica.

18/11/2010 at 12:07 Deixe um comentário

Centro de Pesquisas da Hyundai Heavy Industries será no RIO

Por Janaina Lage, Folha Online

Depois de definir o Rio de Janeiro como local de construção do estaleiro da empresa, a OSX, do empresário Eike Batista, já faz planos para instalar no Estado um centro de pesquisa e treinamento de pessoal em parceria com a Hyundai.

Segundo Luiz Eduardo Carneiro, presidente da empresa, a companhia já tem encontro agendado com a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) para discutir o assunto. Ainda não há definição se o Instituto de Tecnologia Naval será instalado na capital do Estado (mais próximo da comunidade acadêmica) ou perto do local do estaleiro, no Complexo Industrial do Porto do Açu, no norte fluminense.

O foco do centro de pesquisas será o treinamento de pessoal e a transferência de tecnologia da Hyundai Heavy Industries, líder mundial em construção naval. A Hyundai tem 10% de participação na subsidiária OSX Construção Naval. “O grande apelo no primeiro momento é a formação de mão de obra para o estaleiro e para operar as plataformas”, afirmou Carneiro.

O presidente da OSX avalia que o Brasil vai se tornar o maior pólo de atividade offshore no mundo, com a exploração de petróleo na camada pré-sal. A empresa espera iniciar as obras de construção do estaleiro, que ficará em uma área de 3,2 milhões de metros quadrados, em maio de 2011 e prevê investimentos de US$ 1,7 bilhão.

A OSX ainda está definindo o modelo de financiamento do empreendimento, que poderá ser feito via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ou por meio do Fundo de Marinha Mercante.

A carteira de encomendas da OSX já soma cerca de US$ 2,5 bilhões com quatro encomendas da OGX, empresa de exploração e produção de óleo e gás natural do empresário Eike Batista. As encomendas incluem encomendas firmes de dois navios-plataforma que produzem, processam e transferem óleo (do tipo FPSO) e duas plataformas fixas.

A primeira plataforma flutuante está sendo construída em Cingapura. A empresa deve assinar contrato até dezembro sobre a segunda, a OSX2, que poderá ser construída no Brasil ou na Ásia. Segundo Roberto Monteiro, diretor financeiro da OSX, outras duas encomendas de plataformas flutuantes estão em discussão com a OGX, o que deve representar o acréscimo de mais US$ 1,8 bilhão na carteira de projetos. Estas duas novas plataformas deverão ser construídas no estaleiro da empresa. A OSX tem um contrato de prioridade de atendimento das demandas da OGX para a construção de 48 unidades de produção, que têm custo estimado de cerca de US$ 30 bilhões, para sustentar a base de crescimento da empresa de exploração de petróleo nos próximos 10 anos.

Além de atender a demanda de outra empresa do grupo, a OSX está participando de concorrência para fornecer duas sondas para a Petrobras. Ontem, a OSX anunciou a decisão de transferir o projeto de construção do estaleiro de Santa Catarina para o Rio de Janeiro. O projeto em Santa Catarina enfrentou dificuldades de licenciamento ambiental e dependia de um parecer do ICMBIO (Instituto Chico Mendes), ligado ao Ministério do Meio Ambiente. O órgão havia adiado ontem a liberação do parecer para o dia 15 de dezembro.

Segundo Monteiro, a decisão de transferir o projeto para o Rio foi motivada pelas vantagens técnicas e operacionais, como a proximidade de usinas siderúrgicas, a proximidade das principais bacias petrolíferas, como as de Campos, Espírito Santo e Santos e as possibilidades de expansão da capacidade produtiva.

18/11/2010 at 11:56 Deixe um comentário

Cenário promissor para a inovação no país

por Cláudio Mazzola

“Ainda que haja longo caminho a percorrer, as empresas já incorporam a inovação em seus processos produtivos, tornando-se mais competitivas”.

É com essa frase que Sérgio Rezende, ministro da C&T e Ronaldo Mota, secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT tratam o panorama brasileiro de P,D&I no artigo “Cenário promissor para a inovação no país” publicado ontem na seção “Tendências e Debates” do jornal A Folha de São Paulo.

O tema é pertinente, pois não é comum observar nos mesmos meios de comunicação reportagens alertando o fato de que o país está perdendo competitividade no mercado internacional e se tornando um mero provedor de commodities. De economistas como Delfim Neto até John Micklethwait tem citado que a dependência do Brasil perante aos países desenvolvidos (i.e. EUA) ou emergentes (i.e. China) deve ser superada com produtos de maior valor agregado, assim como as empresas devem aprimorar e desenvolver seus serviços, não somente para o mercado interno, mas também para o mercado externo.

A inovação tecnológica ou aplicada a serviços é uma das vias. O próprio OIS 2010 propõe debater esse tema.

Não obstante, o cenário, embora crítico tende a ser animador para o futuro. Nos últimos 10 anos uma série de medidas foram adotadas para fomentar no país um ambiente favorável à inovação. A criação/aperfeiçoamento de leis para mecanismos fiscais (i.e Lei do Bem) e financeiros (i.e subvenção), licitações públicas, assim como para a formação, qualificação e inserção de profissionais em empresas, principalmente PMEs, já demonstram os primeiros bons resultados, vide o post de Fabrício Menardi sobre a Pintec 2009.

Particularmente, entendo que o problema não é o Brasil ser produtor e exportador de commodities, até porque as duas maiores indústrias e exportadoras brasileiras, Vale e Petrobras, cujos principais produtos são commodities, estão hoje na vanguarda da P,D&I. O que deve acontecer é as empresas de alta tecnologia ou aquelas que tem vocação para comercializar produtos de maior valor agregado também seguirem seus exemplos usufruindo de todas as políticas públicas existentes no país para aumento da competitividade e conquista de novos mercados.

***

Da Folha

Cenário promissor para a inovação no país

Inovação compreende um produto ou processo novo, bem como a introdução de uma qualidade ou funcionalidade inédita de produto já existente; é fator decisivo para a competitividade das empresas. A atividade de inovação tecnológica requer a participação de engenheiros e cientistas, preponderantemente com formação pós-graduada.

Apesar do início tardio, a pós-graduação brasileira avança rapidamente. O número de mestres e doutores formados passou de cerca de 5.000 em 1987 para quase 50 mil em 2009.

A ciência avançou muito no Brasil; no entanto, a inovação tecnológica em nossas empresas ainda é tímida. Tal situação decorre da carência de cultura de inovação no ambiente empresarial e da insuficiente articulação entre política industrial e ciência e tecnologia.
Até recentemente, o principal instrumento para apoiar a inovação era o crédito da Agência Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com juros da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 5%.

Mas isso está mudando. Inovação é, hoje, uma das prioridades da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) e do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação 2007-2010 (Pacti).

Com a Lei de Inovação (2004) e a Lei do Bem (2005), as empresas passaram a contar com instrumentos mais amplos e efetivos.

A subvenção econômica viabilizou a concessão de mais de R$ 2 bilhões não reembolsáveis para empresas realizarem inovação. Tal valor é complementado por outros investimentos reembolsáveis da Finep e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de créditos com juros muito baixos.

O Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas (Pappe) aporta recursos para as pequenas e médias empresas em operação com parceiros estaduais. Adicionalmente, existem hoje mais de 30 fundos de capital de risco, com mais de R$ 3 bilhões para investir. O Programa Primeira Empresa Inovadora (Prime) concedeu em 2009 subvenção econômica para 1.381 empresas, por meio de parcerias com 17 incubadoras.

O Programa RHAE-Pesquisador na Empresa, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), concede bolsas para mestres e doutores atuarem nas empresas, tendo contemplado, nos anos de 2008 e 2009, mais de 300 empresas, possibilitando a inserção de 507 mestres e doutores e 550 técnicos nas equipes de trabalho.

A Lei do Bem concede incentivos fiscais para empresas que realizem atividades de inovação. Em 2006, 130 empresas declararam investimentos de R$ 2,2 bilhões. Já em 2009, 635 empresas investiram mais de R$ 9,1 bilhões.

O mais recente estímulo para inovação vem da medida provisória 495/2010, que altera a lei de licitações públicas ao conceder a margem de preferência de até 25% nas licitações estatais às empresas que investem em inovação.

Para fomentar a interação universidade-empresa, o governo federal implantou o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), formado por 56 redes de núcleos de pesquisa e desenvolvimento, sendo 14 redes de centros de inovação, 20 de serviços tecnológicos e 22 de extensão organizadas nos Estados. Ainda há um longo caminho, mas passos importantes têm sido dados na direção correta.

As empresas já incorporam a inovação em seus processos produtivos, tornando-se mais competitivas e mais lucrativas. Isso oferece condições para a conquista de novos mercados. O país começa a formar uma nova geração de empresários, empreendedores em tecnologia.

SERGIO MACHADO REZENDE é ministro da Ciência e Tecnologia.

RONALDO MOTA é secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia.

09/11/2010 at 14:23 1 comentário

Edital de subvenção econômica da FINEP recebe 993 propostas

do site da FINEP

A FINEP recebeu 993 propostas ao edital nacional de subvenção econômica 2010, que vai destinar R$ 500 milhões para apoio a projetos de inovação desenvolvidos por empresas brasileiras em seis áreas estratégicas. Os recursos são do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), portanto, de natureza não reembolsável (que não precisam ser devolvidos).

A área de tecnologias da informação e comunicação foi a primeira classificada em número de projetos (428), seguida de desenvolvimento social (177), biotecnologia (125), saúde (120), energia (89) e defesa (54). Em quantidade de recursos, a demanda apresentada totaliza R$ 1,9 bilhão.

Participam do edital empresas de qualquer porte, individualmente ou em associação com outros grupos empresariais. Não foi permitida à empresa apresentar ou participar de mais de uma proposta por tema. O menor valor a ser solicitado é R$ 500 mil, podendo o financiamento chegar ao valor máximo de R$ 10 milhões. No mínimo, 40% dos recursos serão investidos em pequenas empresas, empresas de pequeno porte e microempresas, e no mínimo 30% deverão atender empresas localizadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O empresário que tiver seu projeto aprovado, também precisará investir recursos próprios no desenvolvimento da pesquisa. Essa contrapartida varia entre 10% e 200% do valor do financiamento, dependendo do porte da empresa. As empresas que tiverem interesse poderão recorrer aos programas de crédito da FINEP para levantar os recursos oferecidos como contrapartida na proposta de subvenção econômica. “Ao utilizar o instrumento da subvenção, a ideia do governo é dividir com o empresário o risco da inovação”, afirma o diretor da FINEP, Fernando Ribeiro. Daí a exigência da participação financeira da empresa no desenvolvimento da pesquisa apoiada pela subvenção.

As propostas passarão agora por etapas de habilitação e análise de mérito. No julgamento serão considerados aspectos como aderência ao tema, grau de inovação, viabilidade técnica e financeira do projeto, impacto no mercado e capacidade técnica da equipe executora. A divulgação do resultado final está prevista para os primeiros meses de 2011.

Clique aqui para conhecer os temas que serão apoiados nas seis áreas.

05/11/2010 at 13:36 Deixe um comentário

IBGE divulga a Pintec 2006-2008

por Fabrício Menardi

O IBGE lançou sexta-feira passada (29/10) a Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) relativa ao período 2006-2008. A pesquisa mostra que a taxa de inovação tecnológica aumentou no Brasil nos últimos anos, inclusive na indústria. O porcentual de empresas investigadas na pesquisa que são inovadoras em processos ou produtos chegou a 38,6% em 2008, ante 34,4% na pesquisa anterior, relativa a 2005.

Na indústria houve um forte incremento da inovação tecnológica nesta década. Se em 2000 a taxa de inovação no setor era de 31,5%, em 2005 atingia 33,5% e em 2008, subiu para 38,1%.

A Pintec analisou 106 mil empresas – dentre as quais 100 mil são do setor industrial e de serviços, incluindo edição, telecomunicações e informática.

O investimento total em atividades inovadoras alcançou R$ 54,1 bilhões em 2008, correspondente a 2,85% do faturamento. Em 2005, esse percentual era de 2,8%.

No setor de serviços, o IBGE constatou que 46,2% fizeram inovações tecnológicas – pela primeira vez, o IBGE pesquisou três ramos (informática, telecomunicações e edição), por isso, não é possível a comparação com 2005.

Os setores que gastaram proporcionalmente mais com inovação foram fabricação de outros equipamentos de transporte (5,1% do faturamento), fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (4,9%), impressão e reprodução de gravações (4,4%), fabricação de automóveis, camionetas e utilitários, caminhões e ônibus (4,2%), fabricação de produtos diversos (4,1%), fabricação de equipamentos de comunicação (3,8%), e fabricação de outros produtos eletrônicos e ópticos (3,6%).

Dos dez setores que mais gastaram, três são da área de serviços: tratamento de dados, hospedagem na internet e outras atividades relacionadas (6,5%), telecomunicações (4,6%), desenvolvimento e licenciamento de programas de computador (3,8%).

A Pintec confirma a existência de uma maior conscientização das empresas a respeito dos resultados positivos que podem ser gerados a partir da inovação. A internet liderou, com 68,8%, as fontes de informação para inovação entre as empresas brasileiras de 2006 a 2008.

Houve aumento também na cooperação e no número de empresas que obtiveram algum tipo de apoio do governo, principalmente sob a forma de financiamento. A parcela das empresas inovadoras que utilizaram pelo menos um instrumento de apoio governamental para a realização da inovação aumentou de 18,8%, no período 2003/2005, para 22,3%, de 2006 a 2008. O financiamento para a compra de máquinas e equipamentos foi o principal instrumento utilizado pelas companhias industriais, somando 14,2%.

01/11/2010 at 20:09 5 comentários

OIC – Brasil e Cenpes promovem debate sobre Inovação Aberta, Inteligência Tecnológica e Propriedade Intelectual no Rio de Janeiro

por Fabrício Menardi

No último dia 14, o Open Innovation Center – Brasil realizou mais uma de suas reuniões temática. Desta feita a reunião aconteceu no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes-Petrobras) na cidade do Rio de Janeiro.

O tema do encontro foi “Inteligência tecnológica para aumento da competitividade e inovação” e envolveu um debate sobre as principais metodologias e ferramentas empregadas para definição e desenvolvimento da estratégia tecnológica das empresas e como a inteligência tecnológica contribui com os gestores para tomadas de decisão.

O tema principal do encontro foi tratado pelo engenheiro Claudio Mazzola, gestor de inovação da Omnisys, que fez uma apresentação sobre inteligência tecnológica no cenário de inovação aberta. Baseado no estudo How to Implement Open Innovation publicado pela Universidade de Cambridge (Inglaterra), Mazzola mostrou como empresas de diversos setores podem construir uma cultura de Inovação Aberta, criar e capturar valor por meio do compartilhamento de tecnologias e conhecimento com outras organizações.

Na palestra “Inteligência Tecnológica para Aumento da Competitividade e Inovação”, Jeziel Nunes do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) ressaltou que a utilização do sistema de propriedade industrial no Brasil ainda é incipiente quando comparada ao desenvolvimento tecnológico do País. No seguimento de Defesa o panorama não é diferente, uma vez que  as Forças Armadas ainda não utilizam devidamente este sistema como fonte de informação e forma de proteção. Segundo as considerações do pesquisador do INPI, ao contrário do que ainda se pensa, as tecnologias de uso militar também são e devem ser protegidas por patentes. Um exemplo é a Marinha norte-americana que está entre as 100 principais depositantes de seu país e muito mais do que armas, munições e instalações etc desenvolve, protege e licencia tecnologias para uso dual, que compreendem aquelas desenvolvidas para uso militar mas cujos benefícios também alcançam o setor privado e o cidadão comum. Nunes ressaltou a importância da propriedade industrial em um ambiente de inovação aberta, pois um sistema seguro de propriedade intelectual ajuda a promover a cooperação, é uma ferramenta que permite estabelecer confiança em uma parceria.

João Carlos Casemiro e Fábio Klein apresentaram as estratégias de inteligência de mercado e inteligência tecnológica da Embraco/Whirpool. Casemiro compartilhou as lições aprendidas durante a estruturação da área de Inteligência de Mercado na Embraco, empresa líder mundial do mercado de compressores herméticos. Klein ressaltou que através da alta concentração de esforços em pesquisa e desenvolvimento, a Embraco desenvolve tecnologia própria e oferta ao mercado produtos inovadores, como os compressores com gases alternativos, livres de CFC, um gás prejudicial a camada de osônio. A parceria com o meio acadêmico é fundamental para o processo de inovação da empresa, que mantém acordos de cooperação com universidades de vários países. A empresa adota a Inovação Aberta ampliando o seu universo de fontes de inovação a partir do seu relacionamento com  parceiros, fornecedores, institutos de pesquisa, e concorrentes.

À estas palestras seguiu-se um debate entre o público presente e os palestrantes do dia encerrando a agenda do dia.

As reuniões temáticas do OIC – Brasil são sempre gratuitas e acontecem em parceria com empresas, centros de pesquisa, universidades e outras organizações que praticam e divulgam as práticas da inovação aberta. Entre os objetivos do Centro estão a promoção do aprendizado mútuo e a divulgação de boas práticas entre praticantes de Inovação Aberta, o incentivo à pesquisa acadêmica que proporcione uma interface entre pesquisadores e praticantes, o estímulo a colaborações com outros centros de Inovação Aberta no mundo e o aumento da visibilidade internacional das pesquisas e casos brasileiros na área.

29/10/2010 at 11:45 1 comentário

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